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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Luz, quero luz!

Quero luz, por que a vida é um teatro, uma bela peça que se desenrola como um musical, são sons que se entrelaçam, ritmos que dançam juntos. Quero luz, vinho, palco e cortina. Quero vida, plena vida. Uma taça na mão e uma mão na outra, num aperto forte que só a amizade faz. No peito um abraço e na alma a certeza de que valeu a pena viver. Tudo que não quero são arrependimentos, querer voltar atrás é amargo, fétido e, portanto, desnecessário. Tudo que faz mal, que vai contra a vida deve ser lançado fora. E qual melhor definição vida que andar para frente?


Vida

Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia
Mais doce da vida
Na mesa dos homens
De vida vazia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Verti minha vida
Nos cantos, na pia
Na casa dos homens
De vida vadia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais
Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Toquei na ferida
Nos nervos, nos fios
Nos olhos dos homens
De olhos sombrios
Mas, vida, ali
Eu sei que fui feliz



quarta-feira, 25 de maio de 2011

Mais Música


Realmente acredito que o pior lugar pra se encontrar uma fé madura hoje em dia é dentro das igrejas. Pior não pois não haja, mas por que parece que a proporção é a mesma, dentro e fora, porém na igreja é mais decepcionante.
 Quando falamos então de expressões artísticas com valores do reino a busca por tais coisas dentro da igreja se torna uma tarefa hercúlea de garimpo, que causa mais náusea que cansaço, apesar de que quando encontramos temos uma alegria enorme.
Na contra mão do evangeliquês fico com Chico Buarque em mais uma daquelas canções que deveriam estar em nossas mentes e em nosso meio.


Sobre Todas as Coisas

Composição: Edu Lobo/Chico Buarque de Hollanda

Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus
Ao Nosso Senhor
Pergunte se Ele produziu nas trevas o esplendor
Se tudo foi criado - o macho, a fêmea, o bicho, a flor
Criado pra adorar o Criador
E se o Criador
Inventou a criatura por favor
Se do barro fez alguém com tanto amor
Para amar Nosso Senhor
Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento terra e céu
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
Pra circular em torno ao Criador
Ou será que o deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
E esses vales são de Deus
Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus

Segue o link http://letras.terra.com.br/chico-buarque/86050/


domingo, 27 de março de 2011

O que Será [Tudo Isso]



O que será?!

O que será?
Deus meu o que será?
“Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo padre eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar!
O que não tem governo nem nunca terá!
O que não tem vergonha nem nunca terá”
O que não se pode dissimular?
O que não é certo recusar?
O que que vive nas idéias dos amantes
E cantam os poetas delirantes (“Sou quem falhei ser¹.”)?
O que está na fantasia dos infelizes?
E no dia a dia das meretrizes?
O que não tem remédio,
Nem fórmula,
Nem solução nas ciências?
O que os mandamentos não conciliam?
As instituições não conciliam?
O que nos faz viver?
O que nos faz morrer?
O que nos faz sorrir?
O que nos faz sofrer?
O que não tem concerto,
Nem certeza,
Nem tamanho,
Nem decência,
Nem censura,
Nem sentido?
E NUNCA TERÁ?!
Só pode ser o humano que nunca será...
Que não está completo e nunca estará...
Que não está contido e nunca estará...
É o que faz sentido e nunca fará...
É o que é bonito...


Fica então uma música do Lenine:

O Que É Bonito?



O que é bonito
É o que persegue o infinito
Mas eu não sou
Eu não sou, não...
Eu gosto é do inacabado
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou...
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito
Eu não quero a gravação, não
Eu quero o grito
Que a gente vai, a gente vai
E fica a obra
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra
Eu quero tudo
Que dá e passa
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça

O que é bonito...



¹ Trecho de “Pecado Original” de Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)

quarta-feira, 9 de março de 2011

O canto do coração

A Tonga da Mironga do Kabuletê



Eu caio de bossa
Eu sou quem eu sou
Eu saio da fossa
Xingando em nagô

Você que olha e não vê
Eu vou lhe dar uma pala
Você vai ter que aprender
A tonga da mironga do kabuletê
A tonga da mironga do kabuletê
A tonga da mironga do kabuletê

Eu caio de bossa
Eu sou quem eu sou
Eu saio da fossa
Xingando em nagô

Você que lê e não sabe
Você que reza e não crê
Você que entra e não cabe
Você vai ter que viver
Na tonga da mironga do kabuletê
Na tonga da mironga do kabuletê
Na tonga da mironga do kabuletê



Você que fuma e não traga
E que não paga pra ver
Vou lhe rogar uma praga
Eu vou é mandar você
Pra tonga da mironga do kabuletê
Pra tonga da mironga do kabuletê
Pra tonga da mironga do kabuletê



Sempre em frente

sexta-feira, 4 de março de 2011

O Sonho de Uma Flauta [2]


            Andei pensando mais sobre o conto de Hermann Hesse esses dias. Tenho pensado no que ele fez quando o barco correu noite à dentro, impossível de voltar atrás.
            De uma coisa tenho certeza, ele não parou de cantar, só que agora suas canções são mais sábias, mais cheias de significado, mais humanas e menos idealizadas.
            Uma banda da qual gosto muito se chama Teatro Mágico, tenho bastante para falar dela, mas por enquanto quero apenas deixar aqui uma música deles, que se chama “Sonho de Uma Flauta” que, para mim, é a canção que sai dos lábios do jovem moço já não tão moço.

Sonho De Uma Flauta

Nem toda palavra é
Aquilo que o dicionário diz
Nem todo pedaço de pedra
Se parece com tijolo ou com pedra de giz
Avião parece passarinho
Que não sabe bater asa
Passarinho voando longe
Parece borboleta que fugiu de casa
Borboleta parece flor
Que o vento tirou pra dançar
Flor parece a gente
Pois somos semente do que ainda virá
A gente parece formiga
Lá de cima do avião
O céu parece um chão de areia
Parece descanso pra minha oração
A nuvem parece fumaça
Tem gente que acha que ela é algodão
Algodão as vezes é doce
Mas as vezes né doce não
Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
O dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Hum... E o mundo é perfeito
Hum... E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito
Eu não pareço meu pai
Nem pareço com meu irmão
Sei que toda mãe é santa
Sei que incerteza traz inspiração
Tem beijo que parece mordida
Tem mordida que parece carinho
Tem carinho que parece briga
Tem briga que aparece pra trazer sorriso
Tem riso que parece choro
Tem choro que é por alegria
Tem dia que parece noite
E a tristeza parece poesia
Tem motivo pra viver de novo
Tem o novo que quer ter motivo
Tem a sede que morre no seio
Nota que fermata quando desafino
Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais
Querer saber demais
Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
O dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Mas sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
E o dia parece metade
E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito...

            A canção do jovem moço é metamorfoseada em canção de homem vivido, entretanto, otimista, pois apesar de ter “dia que parece noite” e “nota que fermata quando desafino” o mundo é perfeito.

O mundo é perfeito...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ninguém faz idéia


Pois eu vos digo que, se vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus (Mateus-5,20).



Lenine deve ser de longe o sujeito que mais me toca com suas músicas... Ando pensando nas coisas do Reino etc. e tal e queria compartilhar essa música comigo mesmo. Sinto que ela é uma tradução, uma poematização desse trecho do Sermão da Montanha.
No texto bíblico, existem diversas interpretações, muitas delas desesperadoras, afinal, quem são os “escribas e fariseus”? Nada menos que os mestres da lei, sujeitos que eram tidos como separados, santos! Como poderiam pessoas normais ter uma justiça mais elevada que a “verdadeira comunidade de Israel”? Jesus está inserido no contexto histórico e social de sua época, afinal, “O verbo se fez carne e habitou entre nós”, Ele entrou de pernas e braços, montou barraca, Tabernaculou entre nós.
Jesus, ao impor que nossa justiça deve exceder a dos mestres da lei não coloca a sociedade da época abaixo destes, mas sim coloca os fariseus em pé de igualdade aos “outros”. Ninguém faz idéia de que é humanidade, ninguém faz idéia de que vem lá...

Ninguém Faz Idéia
Malucos e donas de casa
Vocês aí na porta do bar
Os cães sem dono, os boiadeiros
As putas Babalorixás...

Os Gênios, os caminhoneiros
Os sem terra e sem teto
Atôres, Maestros, Djs
Os Undergrounds, os Megastars
Os Rolling Stones e o Rei...

Ninguém faz idéia
De quem vem lá!
De quem vem lá!
De quem vem lá!
Ninguém faz idéia
De quem vem lá!...

Ciganas e neo-nazistas
O bruxo, o mago pajé
Os escritores de science fiction
Quem diz e quem nega o que é...
Os que fazem greve de fome
Bandidos, cientistas do espaço
Os prêmios nobel da paz
O Dalai Lama, o Mister Bean
Burros, Intelectuais...

Eu pensei!
Ninguém faz idéia
De quem vem lá!
De quem vem lá!
De quem vem lá!
Ninguém faz idéia
De quem vem lá!...(2x)

Os líderes de última hora
Os que são a bola da vez
Os encanados, divertidos
Os tais que traficam bebês...
O que bebe e passa da conta
Os do cyber espaço
A capa do mês da playboy
O novo membro da academia
E o mito que se auto destrói...

Eu sei!
Ninguém faz idéia
De quem vem lá!
De quem vem lá!
De quem vem lá!
Ninguém faz idéia
De quem vem lá!...

Os duros, os desclassificados
A vanguarda e quem fica prá traz
Os dorme sujos, os emergentes
Os espiões industriais...
Os que catam restos de feira
Milicos piratas da rede
Crianças excepcionais
Os exilados, os executivos
Os clones e os originais...

É a lei!
Ninguém faz idéia
De quem vem lá!
De quem vem lá!
De quem vem lá!
Ninguém faz idéia
De quem vem lá!...(2x)

Os Anjos, os Exterminadores
Os Velhos jogando bilhar
O Vaticano, a CIA
O Boy que controla radar
Anarquista, Mercenários, quem é
Quem é e quem fabrica notícia
Quem crê na reencarnação
Os Clandestinos, os Ilegais
Os Gays, os Chefes da Nação
Ninguém faz idéia
De quem vem lá...



            Um ponto do texto que me abalou foi o “de modo nenhum entrareis no Reino dos céus”, passei um bom tempo remoendo esse trechinho, afinal é ameaçador, mostra a figura do Cristo mais para carrasco que para Deus amoroso.
            Mas primeiro, onde é o Reino dos céus? Quando leio os evangelhos vejo um Cristo muito mais preocupado com o aqui e agora que com o pós-morte, ao nos ensinar a orar ele diz “Venha o teu Reino” (ou também “Venha a nós o Vosso Reino”), e “Seja feita a Tua vontade na terra como no céu”. Céu e terra são o Reino, afinal:

“Bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o Reino dos Céus.”
“Bem-aventurados os humildes, pois herdarão a terra.”

            Terra e Reino dos Céus são prometidos para os mansos...
            Em muitas passagens da bíblia temos o termo “O Reino dos Céus está próximo”. Em outras versões o texto é traduzido para “O Reino dos Céus é chegado”, ora, o que está chegado está próximo, mas quando colocamos o termo próximo no texto temos, creio que por cultura, lemos no sentido temporal, porém, o Reino é aqui, está aqui!
            O Reino dos Céus é aqui, mas como não podemos entrar?
      Creio que o Reino dos Céus que está no meio de nós está fundamentado no relacionamento, na humanidade, não em um conjunto de regras, ou instituição, seja ela qual for. Como disse um sujeito admirável certa vez, quando foi instituída a Way of Life dos fariseus, ela não tinha o objetivo de formar um grupo de hipócritas rodeado de coisas podres e jogos de interesse, mas devido a uma má interpretação, a contingencia da vida e a própria origem falha do homem o tornaram como tal. Inclusive, segundo a Wikipédia, a origem da palavra fariseu é a mesma da paravra santo (http://pt.wikipedia.org/wiki/Fariseus).
            O jeito fariseu de viver, com seu senso de justiça torpe, não os deixava serem humanos, se relacionar com honestidade, tanto com Deus quanto com os homens (Lucas 18,9-14). Jesus não gostava de se relacionar com pessoas perfeitas, pelo contrário, desfrutava da companhia de pessoas consideradas inapropriadas para um relacionamento.
            Por tanto, ao termos uma justiça que excede a dos fariseus, não somos mais cheios de regras, teologias, métodos ou qualquer coisa que o valha, somos humanos, permitimo-nos sermos apenas humanos, “salvos da perfeição” ou da tentativa de tê-la. É tudo que eu quero. Ser humano...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O que é bonito?

Uma música maravilhosa do poeta Lenine:


O QUE É BONITO?
O que é bonito
É o que persegue o infinito
Mas eu não sou
Eu não sou, não...
Eu gosto é do inacabado
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou...
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito
Eu não quero a gravação, não
Eu quero o grito
Que a gente vai, a gente vai
E fica a obra
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra
Eu quero tudo
Que dá e passa
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça
O que é bonito...
  Encontrei nessa música uma linda oração...uma oração que estava presa na minha garganta e que conseguiu sair quando cantei...Eu quero o imperfeito, quero o normal, o que foge os padrões, quero Jacó, quero ser o pai do filho pródigo...quero amar o imperfeito, o inacabado, o estragado...afinal "o que há de errado em ser tão errado assim?".
  Eu, eu não sou, ou se sou, sou "uma metamorfose ambulante" e estou peregrinando...quero ser o que se despedaça...o que é bonito.

Boa noite


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